A Unidade de Terapia Intensiva é um microssistema bastante complexo onde a necessidade da padronização de processos é muito importante a fim de minimizar o risco de erros, e assim, aumentar a performance. Preparamos algumas dicas para ajudá-lo a melhorar a performance de sua UTI. Seguem abaixo:

1. Liderança:

A presença de um líder tecnicamente capaz e inspirador, que tenha a capacidade de desenvolver nos seus liderados suas melhores capacidades, potencializando suas qualidades é essencial. O líder pode se utilizar de ferramentas como feedbacks tanto positivos quanto negativos, reforçando positivamente as posturas acertadas e auxiliando a retomada de rumos, nos feedbacks negativos. O Feedback é uma importante ferramenta para auxílio do crescimento das capacidades individuais dos seus liderados. Com temos uma tendência a enxergar sempre o lado negativo das coisas, muitas vezes os líderes lembram de dar feedbacks negativos que quase nunca são construtivos, esquecendo-se dos positivos.

2. Linearidade:

Além de contar com profissionais competentes, preferencialmente formados em terapia intensiva, uma das formas de garantir a manutenção dos planos terapêuticos, da linha de cuidado do paciente e da relação de confiança com a família é ter o mesmo médico diariamente prestando assistência a esses pacientes. Dessa forma, minimiza-se a perda de informações, grande barreira na UTI, como também se cria uma relação de confiança maior com as famílias dos pacientes. Minimizando

3. Passagem da Informação – Transição do cuidado:

Uma das maiores dificuldades nas UTIs é a garantia da passagem da informação. Para ter uma idéia, nos Estados Unidos, 30% da causa raiz de erros ocorridos com os pacientes internados em UTIS decorrem da comunicação inadequada durante a passagem de informação. Por este motivo, momentos como a passagem de plantão são cruciais para a continuidade do cuidado 24 horas por dia, 7 dias na semana. Muitas vezes, a passagem de plantão é um desabafo das frustações ocorridas durante o turno de trabalho, agregando muito pouco na continuidade do cuidado dos pacientes críticos. A passagem de plantão acontece em 2 momentos:

3.1. De um responsável para o outro, o HANDOVER.
3.2. De um setor ao outro o HANDOFF.

Diversos estudos mostram que, a passagem de plantão padronizada, utilizando-se de métodos já conhecidos como o SBAR facilita e garante a passagem de informações importantes. O método é um mnemônico e funciona da seguinte forma:

S –Situação – Identificação do paciente e do profissional, identificação da situação atual
B – Breve Histórico da internação com informações relevantes
A – Avaliação
R– Recomendação – cuidados recomendados

Escolas de acreditação como o IQG, responsável pelas acreditações ONA e Qmentum recomendam que a transição do cuidado seja padronizada, minimizando-se o risco da perda de informação.

4. Passagem de plantão à beira do leito

Outra estratégia que eu utilizo muito com a minha equipe é a passagem de plantão em pé à beira do leito. Ela é mais objetiva com o benefício de o intensivista já visualizar o paciente mesmo antes de ver seus exames. Intensivistas treinados conseguem identificar potenciais complicadores só de olhar.

5. Plano Terapêutico

Plano Terapêutico de fácil acesso à toda a equipe assistencial – O plano terapêutico é o planejamento feito pelo médico durante toda a internação do paciente, é o objetivo pelo qual o paciente está internado. Para atingir o plano terapêutico, o médico precisará contar com os demais profissionais de equipe multidisciplinar: fisioterapeutas, Fonoaudiólogos, Nutricionistas, Psicólogos, Enfermeiros.

A melhor associação que ouvi a respeito desse assunto foi: o médico é o maestro, e os demais profissionais compõem a orquestra. A melhor forma de garantir o plano terapêutico é facilitar o acesso de todos os profissionais a ele, para que eles possam fazer seus projetos terapêuticos, conjuntos de ações que serão necessárias para alcançar o objetivo da alta.

6. Round Multidisciplinar Baseado em Checklist

Com intuito de reduzir o fator humano, as metas de cuidado diárias precisam ser padronizadas em checklist, minimizando risco de esquecimento por exemplo. Para começar, é possível utilizar uma avaliação baseada no FASTHUG, construindo a necessidade de sua UTI no decorrer do tempo. Como funciona o FASTHUG?

F – Food
A – Analgesia
S – Sedação
T – Profilaxia de TEP/ TEV
H – Head of bed elevation
U – Prevenção de úlceras ( 3 úlceras -córnea, estômago e pele)
G – Glicemia

7. Safety Huddle

O Safety Huddle é uma ferramenta utilizada como uma espécie de resumo dos principais riscos e programações do dia. Deverá ocorrer ao início e ao final do dia nas unidades e na alta gestão, levando em consideração os seguintes fatores:

– Condições de risco
– Alertas
– Ocorrências para resolução (manutenção, dimensionamento de equipe)
– Solicitar ajuda ou mesa de crise em situações de alto risco

No setor, ao início do dia, o gestor da área se reúne juntamente com toda a equipe multidisciplinar e faz, em 5 a 10 minutos a programação do dia, levando em consideração condições de risco como por exemplo o dimensionamento da equipe, pacientes com alto risco de deterioração clínica, problemas de manutenção, facilitando a busca ativa e resolução de problemas. O objetivo é que os problemas que amanheceram não anoiteçam e os que anoiteceram, não amanheçam.

O Huddle deverá ser feito ao início e ao final do dia. O mesmo deverá ser feito com a alta governança. Para melhorar a performance da sua UTI é necessário padronizar processos visando minimizar o ‘fator humano’.

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