A ventilação mecânica é um recurso bastante utilizado em pacientes em insuficiência respiratória e funciona como princípio fundamental da reanimação cardiopulmonar tanto na terapia intensiva como na anestesiologia. Ela surgiu, como tudo na medicina, da necessidade de manter a vida. Após a intubação orotraqueal, o paciente necessita ser adaptado ao respirador o mais breve possível.

Na sequência temos os principais elementos aos quais você precisa ficar atento para conseguir acoplar adequadamente o seu paciente à ventilação mecânica:

1- Cálculo do peso predito do paciente – Para homens, Peso predito= 50 + 0,91 x( altura em cm – 152,4) , para mulheres, peso predito = 45,5 + 0,91 x ( altura em cm – 152,4).

2- Escolha do modo ventilatório – Normalmente, no ventilador mecânico você poderá selecionar o modo de ventilação em assisto-controlado, ciclado a volume e ciclado a tempo, limitado à pressão (PCV) ou a volume. Lembre-se de acompanhar a adaptação do paciente à ventilação.

3- Fração inspirada de oxigênio (FiO2) – Logo após a intubação, é recomendado que a FiO2 seja de 100%, de tal forma que você irá reduzindo para que se obtenha uma saturação de oxigênio entre 93% e 97%.

4- O próximo ajuste necessário será o do volume corrente. Inicialmente, é possível fazer um ajuste de 8ml por kilo de peso predito, buscando-se a redução para 6ml por kilo do peso predito, mesmo em pacientes que não apresentem SARA (Síndrome da Angústia Respiratória Aguda). Uma coisa importante para você lembrar é que você utiliza o peso predito e não o peso real do paciente.

5- A seguir, deve-se manter a frequência respiratória, que inicialmente deve ficar entre 12 e 16 incursões por minuto, se estivermos diante de casos obstrutivos, a frequência poderá ficar abaixo disso ou acima disso se estivermos diante de casos restritivos.

6- Definindo o tipo de disparo ventilador – Também chamados de trigger, os tipos de disparo mais comumente utilizados são os disparos a tempo, que é controlado pelo respirador, disparo a pressão e o fluxo, sendo, neste caso, controlados pelo paciente. Há ainda a possibilidade do ventilador ser disparado por estímulo neural que é um modo novo.

7- Ajuste da PEEP – A PEEP (pressão positiva no final da expiração) fisiológica é de 5 cmH2O, com exceção de quando você estiver diante de casos como SARA, quando o valor da PEEP deve ser ajustada para cada caso.

8- Regulagem dos alarmes – Os alarmes devem ser regulados de maneira individualizada utilizando os critérios de especificidade e de sensibilidade adequados para cada caso de cada paciente. Lembre de ajustar o alarme de apnéia quando o seu paciente estiver em ventilação assistida.

Após os ajustes iniciais, observe as curvas de volume, pressão e fluxo para ajustes mais ‘finos’. Nessa adaptação inicial, dois elementos são extremamente importantes:

O primeiro, o médico ao lado do paciente, identificando desconfortos, mal adaptações, necessidade de bloqueio neuromuscular; o segundo é a coleta de uma gasometria cerca de 30 minutos após a adaptação do paciente para manter os parâmetros ventilatórios dentro do esperado.

À beira-leito, a oximetria de pulso também pode auxiliar nessa monitorização, pois tem uma margem de erro de 2% para cima ou para baixo em relação à saturação da gasometria arterial, com a vantagem de ser muito menos invasiva.

A ventilação mecânica é fundamental para o tratamento de pacientes em insuficiência respiratória, por isso, nós da Critical Treinamentos oferecemos um Curso de Ventilação Mecânica, no qual você aprenderá tudo sobre o assunto de maneira dinâmica e didática.

Thays Helena Bonattelli / Jaqueline Flores Rohr