Hoje temos um caso clínico real, típico de UTI e emergência.

Aquele caso em que primeiro você salva o paciente, depois você pensa…

Vamos ao caso…

Paciente LBS, feminino, 42 anos, encontrada desacordada e cianótica pelo marido que contatou o SAMU.

O médico do SAMU, intubou prontamente a paciente e a trouxe para a emergência do seu hospital, ventilando em bolsa-válvula-máscara (AMBU).

O esposo relatou que a paciente tinha dor neuropática de difícil controle (hérnia de disco) e estava em uso de metadona sem outras comorbidades…

Chegando à reanimação do seu hospital você percebe: PA: 60×40, FC: 150, SatO2: 70%, Tax: 36.

São 02:00h da manhã e você dispõe de poucos recursos para as tomadas de decisão.

Você pede auxílio ao intensivista de plantão para manejar a ventilação mecânica e as drogas vasoativas para estabilizá-la e levá-la à UTI.

Vocês iniciam noradrenalina e vasopressina 0,04 UI/min e hidratação vigorosa mas a instabilidade hemodinâmica só piora.

Ela está sedada e bem acoplada à ventilação mecânica (VM). No ajuste da VM vocês ventilam a volume controlado a 6ml/Kg de peso predito, FiO2: 100% mas mesmo assim a saturação dela permanece em 70%.

Gasometria: pH: 6,91, pCO2: 96, pO2: 55,2, HCO3: 19,5, BE -14, 6, SatO2: 63%

Eis que o intensivista decide fazer um ecocardiograma no seu paciente:

Com esse diagnóstico de Tromboembolismo Pulmonar, você faz uma breve história com o marido descobrindo não haver contraindicações à trombólise.

Você prescreve actilise, enquanto a paciente está recebendo já começa a tolerar redução de droga vaso ativa e melhorar a saturação, observe o seu monitor:

Após a trombólise, ao longo do dia a sua paciente estabiliza e, ao longo de 7 dias é extubada e recebe alta da UTI.

Parabéns, você salvou uma vida!!!

P.S. Nem sempre dá tempo de fazer diagnósticos diferenciais cheios de detalhes, muitas vezes, você salva e depois vai fazer o raciocínio.

Um abraço.

Dra Jaqueline Flores Rohr.

CRM 14795/ RQE 18641.